Ideias para fugir da pesquisa bibliográfica

Eu, como orientadora e membro de diversas bancas, como pesquisadora que sou, preciso desabafar: que “chatura” essa mania de todos os alunos fazerem revisão de literatura!!!

Não estou me referindo àquela revisão de literatura, o referencial teórico, que todos nós fazemos em todos os trabalhos, e que é crucial para qualquer estudo científico. Esta, diga-se de passagem, é a minha etapa favorita do trabalho! Estou falando da modalidade de pesquisa.

Também não estou dizendo que todos os trabalhos de Pesquisa Bibliográfica não são bons ou necessários, viu gente? Nem venham tirar palavras da minha boca… Essa modalidade de pesquisa é excelente, principalmente quando é escrita por um especialista super experiente no assunto. Adoro aqueles longos artigos de revisão, com centenas de artigos citados!

Mas quando estamos falando de TCC, me parece que a preguiça estacionou nessa modalidade. Os TCCs, em geral, ficaram muito parecidos. Todo mundo faz isso, ninguém sabe o por quê. Virou tipo um paradigma do TCC… Não se questiona, sequer, sobre a possibilidade de fazer de outra forma (eu estou generalizando, tá gente?).

Abaixo vou mencionar algumas possibilidades, adequadas até mesmo para quem está na graduação ou iniciação científica, e principalmente para quem está na pós-graduação.

  • Pesquisa participante: o pesquisador vivencia por um tempo da realidade dos indivíduos pesquisados e descreve em seus registros as suas observações, as análises e as considerações.
  • Pesquisa ação: ideal quando o pesquisador já conhece a realidade da situação e visa realizar uma intervenção. Como exemplos temos projetos educacionais que podem ser aplicados a um determinado público, um processo a ser aplicado em uma empresa… Essa abordagem é super interessante, e nem sempre é complexa de se realizar. Se o estudante já trabalha na área ou realiza o estágio, é uma excelente opção.
  • Estudo de caso: outra possibilidade para quem realiza estágio ou trabalha na área. Essa abordagem pode ser aplicada em diversos campos do conhecimento. A pesquisa, nesse caso, se concentra no estudo de um caso significativo e representativo.
  • Pesquisa documental: para quem deseja trabalhar com dados “crus”. Por exemplo, os dados já existem mas ainda não foram analisados num artigo. Nesse caso, pode-se incluir desde dados do IBGE, dados da Secretaria de Saúde, de Educação, gastos públicos em determinada região… Enfim, os dados foram publicados já em documentos não necessariamente artigos científicos e cabe ao pesquisador trabalhar em cima deles.
  • Pesquisa experimental: para quem tem acesso a laboratórios onde possam ser realizados controles para análises de diferentes variáveis. Bastante adequado a pesquisas de saúde, ciências biológicas, química… mas não restrita a essas áreas.
  • Pesquisa de campo: quando se realiza coleta de dados em condições naturais, sem a intervenção do pesquisador. Neste caso pode-se observar dados naturais, por exemplo, realizar análises ambientais, obter informações de um nicho específico ou de uma população de animais, entre outros.

=> Observação importante: as modalidades de pesquisa científica não são necessariamente excludentes, tá? A sua pesquisa pode ser de mais de um tipo. E aqui eu não listei todas as possibilidades.

Técnicas de pesquisa que merecem destaque

Especialmente em trabalho de conclusão de curso de graduação, sabemos o quanto o tempo é curto. Por isso, destaco aqui algumas ferramentas interessantes que podem enriquecer o seu trabalho sem demandar muito tempo: entrevistas não-diretivas, entrevistas estruturadas, questionários, levantamentos de dados de uma população, entre outros.

As possibilidades dentro da pesquisa são infinitas, e basta criatividade (e conhecimento sobre o assunto) para encontrar uma forma simples e elegante de tratar um estudo.

Deixo aqui a minha referência para esse post e leitura sugerida, onde poderão ser encontradas diversas outras informações ricas sobre o trabalho científico:

SEVERINO, Antônio J. Metodologia do trabalho científico. 23 ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2007.

Agora é sua vez de escrever. Já pensou em sair do óbvio? Conte um pouco nos comentários sobre o seu trabalho! Aguardo seu comentário com bastante curiosidade! 😊

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